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Ártico derrete polvilhado por microplásticos

Já fizemos matéria mostrando a patética ‘chuva’ de micropláticos que vem da atmosfera. Pois agora descobriram que as geleiras do Ártico estão poluídas pelo material. O Ártico derrete, e é ‘polvilhado’ por mínimas partículas de plástico. Não à toa, a região polar não sai da mídia. Seja por seu acelerado derretimento, seja agora por mais esta ‘contribuição’ humana.

Investigando a crise climática na Passagem do Noroeste

Esta mítica rota marítima, a Passagem do Noroeste, estava na rota de uma expedição científica que investigava o derretimento da calota polar. A expedição, financiada pela Fundação Nacional para a Ciência dos Estados Unidos e pela Heising-Simons Foundation, navegava pela passagem e usava também um helicóptero para chegar em campos de gelo e retirar amostras. A equipe perfurou 18 blocos de gelo e encontrou as partículas, que também foram vistas flutuando no oceano. Segundo reportagem de Matthew Green, da agência Reuters, “O plástico se destacou tanto na abundância quanto na escala”, disse Brice Loose, oceanógrafo da Universidade de Rhode Island e cientista chefe da expedição, o Projeto da Passagem Noroeste.

O derretimento do Ártico visto pela NASA

Todos os anos, o gelo marinho flutua ao longo das estações, crescendo no inverno e encolhendo no verão. Este ano, o gelo marinho do Ártico atingiu seu máximo anual em 13 de março de 2019. Não foi um recorde de baixa, mas continuou a tendência de declínio do máximo e mínimo de gelo do mar.

O Ártico derrete, e polvilhado por microplásticos: ‘um soco no estômago’

Quando olhamos de perto e vimos que está tudo muito, muito visivelmente contaminado quando você olha com as ferramentas certas. Aquilo foi um pouco como um soco no estômago”, disse Strock à Reuters.

Lancaster Sound

É um trecho isolado do Ártico Canadense. Os pesquisadores achavam que suas águas estavam protegidas da ‘sopa de plástico’. Puro engano. Foi deste local que retiraram água, e depois comprovaram sua contaminação. Brice Loose, oceanógrafo, Universidade de Rhode Island, e cientista chefe da expedição declarou:

Pela primeira vez na história, foram encontradas partículas concentradas em amostras de gelo, e água, do Ártico canadense. Pudera, ele está em todos os lugares, até no Ponto Nemo foram encontradas amostras de água contaminada.

Ártico bate recorde de microplástico no gelo em 2018

Estudo realizado por pesquisadores do Instituto Alfred Wegener, do Centro Helmholtz de Pesquisa Polar e Marinha (AWI), publicado em 24 de abril de 2018 na revista Nature Communications, dava conta do triste recorde. Amostras com até 12.000 partículas microplásticas por litro (aproximadamente um quarto) de gelo marinho confirmaram as suspeitas.

Os tipos encontrados em 2018

Os pesquisadores descobriram um total de 17 tipos diferentes de plástico no gelo do mar, incluindo materiais de embalagem, como polietileno e polipropileno, mas também tintas, nylon, poliéster e acetato de celulose; o último é usado principalmente na fabricação de filtros de cigarro. Em conjunto, estes seis materiais representaram aproximadamente metade de todas as partículas de microplástico detectadas. A novidade é que agora sabe-se que ‘chove’ plástico no Ártico, e que as águas canadenses também estão contaminadas. Mérito de nossa geração!

Fontes: https://extra.globo.com/noticias/mundo/em-soco-no-estomago-cientistas-encontram-micro-plasticos-no-gelo-do-artico-23877656.html;https://earthsky.org/earth/record-concentration-microplastic-arctic-sea-ice; https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/os-microplasticos-estao-se-acumulando-no-gelo-do-artico-14082019;

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Novo carro elétrico e solar vai de SP a Floripa com uma única carga

Nesta terça-feira (25), a companhia holandesa Lightyear apresentou o protótipo de seu primeiro carro solar de longo alcance. O modelo será capaz de percorrer pouco mais de 724 quilômetros (distância entre a capital paulista e a capital catarinense) com uma única carga e uma pequena bateria.

Batizado de Lightyear One, o veículo possui uma bateria mais duradoura do que as disponíveis hoje no mercado e, apesar de ser menor, foi projetada para maximizar seu desempenho. Com painéis acoplados no teto e capô, o veículo capta energia sempre que está sob o sol.

A energia também pode ser recarregada por meio das estações de recarga de veículos elétricos e até pode receber energia diretamente de tomadas comuns. Neste último caso, será mais lento, mas após uma noite carregando em uma tomada doméstica, o motorista poderá percorrer 400 quilômetros, por exemplo.

A novidade, logicamente, atraiu muitos investidores. Apesar da previsão de iniciar a produção somente em 2021, na pré-venda, já foram reservados mais de cem veículos. Aliás, o protótipo foi desenvolvido em apenas dois anos. Isso porque a startup recebeu muitos subsídios e apoio de investidores desde que seus criadores, ex-alunos da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, ganharam o Desafio Solar Mundial Bridgestone.

E isso é apenas o começo. “Como a nova tecnologia tem um alto custo unitário, precisamos começar em um mercado exclusivo. Os próximos modelos que planejamos desenvolver terão um preço de compra significativamente menor. Além disso, modelos futuros serão fornecidos a frotas de carros autônomas e compartilhadas, para que o preço de compra possa ser dividido entre um grande grupo de usuários. Combinado com os baixos custos operacionais do veículo, pretendemos fornecer mobilidade premium por um preço baixo por quilômetro”, planeja Lex Hoefsloot, CEO e cofundador da Lightyear.

Fonte: ciclovivo.com.br

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Indígenas recuperam área degradada e batem recorde de produtividade

Com selo internacional de proteção da biodiversidade, o produto é vendido hoje pra exportação e restaurantes consagrados como do chef do Alex Atala

Você já ouviu falar no pequi? É uma pequena fruta tradicional, de polpa laranja, nativa do cerrado e muito popular na culinária sertaneja. Dela também é extraída o óleo de pequi, cada dia mais presente também na cozinha cotidiana de outros lugares do Brasil.

O povo Kĩsêdjê, na Terra Indígena Wawi (MT), combinou o método tradicional com a tecnologia e equipamentos, o que fez ser possível manter uma produção mais constante e até hoje a mais alta.

“Nossa iniciativa foi a única solução [para obter renda] que achamos mais viável e que não agride ninguém, nem o meio ambiente”, disse Winti Kĩsêdjê, da Associação Indígena Kĩsêdjê (AIK), ao ISA – Instituto Socio Ambiental.

Onde antes eram fazendas, na bacia do rio Pacas, as cinco aldeias na Terra Indígena Wawi se tornaram modelo de produção de alimentos e geração de renda sustentável, legitimada pelo Selo Origens Brasil e pelo movimento internacional Slow Food.

Números marcantes

Em 2006, 263 pés de pequis foram plantados em três hectares. Hoje, são 3.000 pés de pequis plantados em 63 hectares. A extração do óleo de pequi começou em 2011 em uma miniusina instalada em uma das aldeias.

“O recorde de 315 litros de produção do óleo em 2018 tem a ver com melhorias técnicas e com a organização”, disse o engenheiro florestal Luciano Eichholz ao ISA.

Em 2014, tiveram início a ampliação do pequizal, com financiamento pelo Fundo Amazônia/BNDES. A renda obtida com a produção, que deve girar em torno de R$ 30 mil, vai diretamente para a associação do povo.

Segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite), a Terra Indígena, localizada no município de Querência (MT), teve 6.200 hectares desmatados apenas em 2018.

É possível adquirir os produtos na loja online do ISA, e também nos supermercados Pão de Açúcar, no box Amazônia e Mata Atlântica do Mercado de Pinheiros, em São Paulo.

 

Fonte: https://razoesparaacreditar.com

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Associações do agronegócio se unem a ONGs para pedir ação na Amazônia

Uma importante associação da indústria de exportação de carne do Brasil e outras entidades do agronegócio se juntaram nesta sexta-feira (6) a organizações não-governamentais para pedir o fim do desmatamento em terras públicas.

O grupo do setor de carne bovina Abiec e as ONGs Imazon e Ipam estão entre as 11 entidades brasileiras que assinaram uma campanha que exige a proteção de áreas de conservação no país e a criação de uma força-tarefa do Ministério da Justiça para resolver conflitos por terras públicas de floresta.

O maior número de incêndios florestais desde 2010 está atingindo a Amazônia este ano, revelaram dados da agência de pesquisa espacial do país no mês passado, provocando um clamor global de que mais deve ser feito para proteger a maior floresta tropical do mundo.

A proteção da Amazônia é vista como vital para o combate às mudanças climáticas. Aproximadamente 60% da Amazônia está no Brasil

“Se a ação não for tomada, se o discurso não mudar, se a retórica não mudar, as coisas podem piorar.”

A campanha também pede que outra força-tarefa examine as florestas em terras públicas às quais não foi atribuída nenhuma reserva ou outro status.

Cerca de 40% do desmatamento em 2018 ocorreu em terras públicas, segundo o Ipam.

Todas as florestas devem receber designações com base no que são mais adequadas, disse o diretor-executivo do Ipam, André Guimarães. Por exemplo, se contiver espécies sensíveis, uma floresta poderá ser protegida como reserva ou parque nacional, disse ele.

Outras poderiam ser designadas como florestas nacionais ou áreas de concessão para a exploração sustentável de madeira, disse Guimarães.

Aproximadamente 650.000 km2 de floresta no Brasil –uma área quase o dobro do tamanho da Alemanha– não têm designação, de acordo com o Ipam.

Mais cedo nesta semana, o Ipam reportou em nota que, dos 45.256 focos de fogo registrados no bioma Amazônico de janeiro ao final de agosto, 33% foram verificados em propriedades privadas, que cobrem 18% da área amazônica.

Fonte: g1.globo.com

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Por que pesquisadores estrangeiros estão preocupados com a conservação ambiental no Brasil?

De acordo com cientistas ouvidos pelo G1 e pesquisas consultadas pela reportagem, o Brasil é importante para o equilíbrio ambiental do mundo inteiro pelas seguintes razões:

  • É o país mais biodiverso do mundo;
  • Está entre os líderes de produção de alimentos no planeta;
  • Grande cobertura florestal diminui as concentrações de carbono na atmosfera – o que impacta na temperatura média de todo o mundo.

Por isso, alguns dados divulgados recentemente chamaram a atenção da comunidade científica internacional. A Amazônia perdeu 18% da área de floresta em três décadas, e o Brasil foi o país que mais desmatou em 2018.

Embora esses dados apontem para anos anteriores e, portanto, outros governos brasileiros, ambientalistas preocupados com a possibilidade de a devastação se acentuar chamam atenção por medidas e situações ligadas à atual administração, do presidente Jair Bolsonaro.

Terra Indígena — Foto: Portal Amazônia/ReproduçãoTerra Indígena — Foto: Portal Amazônia/Reprodução

Terra Indígena — Foto: Portal Amazônia/Reprodução

Além da reação dos cientistas europeus, o Museu de História Natural de Nova York revogou o aluguel cedido a um evento que homenagearia Bolsonaro.

Um dos motivos, segundo nota do estabelecimento, era a preocupação com a “necessidade urgente de conservar a Amazônia, que tem profundas implicações para a diversidade biológica, as comunidades indígenas, mudança climática e o futuro da saúde do nosso planeta”.

O que diz o governo?

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em foto do dia 17 de janeiro — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em foto do dia 17 de janeiro — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Assim que soube do manifesto enviado à União Europeia por mais de 600 cientistas, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, rebateu as acusações. Em entrevista à GloboNews, Salles afirmou que o texto não tem “credibilidade” e que se trata de uma “discussão comercial disfarçada”.

Ainda na entrevista, o ministro disse que o “Brasil é exemplo de sustentabilidade” e que o “problema ambiental brasileiro está nas cidades, e não no campo”. Segundo ele, o agronegócio brasileiro “é o mais comprometido com a preservação do meio ambiente no mundo”.

Salles também afirmou ainda que, em comparação com outros países, “nós é que somos exemplo de cuidado com o meio ambiente”.

“Nenhum desses países europeus faz nem de longe o que o agronegócio brasileiro faz pelo meio ambiente. (…) Nós é que mostramos como é que se faz”, disse o ministro.

A resposta de Salles vai na linha do que afirmou o presidente Bolsonaro durante discurso no Fórum Mundial Econômico de Davos, em janeiro: “Somos o país que mais preserva o meio ambiente”.

Como pesquisadores avaliam as declarações do governo?

Em resposta enviada ao G1, os cientistas brasileiros Tiago Reis, Universidade Católica de Louvain (Bélgica), e Laura Kehoe, da Universidade de Oxford (Reino Unido), repudiaram a fala de Salles.

“A carta é apoiada por centenas de cientistas de algumas das melhores universidades do mundo, e foi publicada pela revista científica de maior reconhecimento internacional, a “Science”. Se isso não tem credibilidade, como diz o ministro, o que ou quem tem credibilidade então?”, questionaram.

No texto, os dois pesquisadores ainda disseram que “há, de fato, interesses velados” na publicação do manifesto.

“Esses interesses estão ligados à proteção das futuras gerações, à habitabilidade da terra, e à conciliação entre produção e conservação”, afirmaram.

Não houve protestos em governos anteriores?

Manifestante pede veto de Dilma ao Código Florestal durante reunião de comissão do Senado — Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Manifestante pede veto de Dilma ao Código Florestal durante reunião de comissão do Senado — Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Houve. Governos anteriores também receberam críticas pela forma com a qual lidavam com a questão ambiental.

A ex-presidente Dilma Rousseff, que governou o Brasil entre 2011 e 2016, foi alvo de ambientalistas por autorizar as construções de duas usinas contestadas: a hidrelétrica de Belo Monte e a nuclear Angra 3.

Além disso, ativistas criticaram o Código Florestal aprovado em 2012, com vetos, pela então presidente Dilma. Grupos como o Greenpeace acreditavam que toda a proposta merecia veto, e não apenas parte dele, por, entre outras razões, conceder anistia a quem desmatou até 2008 – desde que houvesse reflorestamento.

Em junho de 2017, no governo de Michel Temer, a Noruega anunciou o corte pela metade os repasses ao Fundo Amazônia previsto para o ano que vem.

Temer e Aloysio Nunes na Noruega — Foto: Beto Barata/PR/FotosPúblicas

Temer e Aloysio Nunes na Noruega — Foto: Beto Barata/PR/FotosPúblicas

O governo norueguês disse, na ocasião, que voltaria a financiar as iniciativas de preservação caso o desmatamento diminuísse. O G1 entrou em contato com o Ministério do Clima e do Meio Ambiente da Noruega, mas não obteve resposta.

Além disso, dados do projeto Mapbiomas – parceria entre universidades, ONGs, institutos nacionais e o Google – mostram que o Brasil teve dois picos de desmatamento nas três últimas décadas: entre os anos de 1994 e 1995, no governo Fernando Henrique Cardoso, e em 2004 e 2005, com Lula.

No entanto, tanto no governo de FHC quanto no de Lula, houve alta na criação de Unidades de Conservação e terras indígenas. Outro marco foi a criação do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia, criado por sugestão da então ministra Marina Silva.

A pesquisadora norueguesa Solveig Aamodt, do Centro Internacional de Pesquisa do Clima (Cicero), afirma que os governos brasileiros costumavam dar sinais de que a redução do desmatamento era prioridade.

“Depois de 2004 desmatamento foi reduzido, e mesmo que as taxas de desmatamento variem de ano para ano, os governos brasileiros sempre disseram aos seus parceiros internacionais que a redução desmatamento é uma prioridade”, disse.

Para o cientista Tiago Reis, da Universidade de Louvain (Bélgica), o Brasil sempre esteve sob olhares atentos da comunidade internacional no que diz respeito a preservação. “Se patrimônio ambiental fosse PIB, ele seria a maior potência do mundo”, analisou.

E por que tantas iniciativas da Europa?

Ambientalistas noruegueses e representantes de povos indígenas brasileiros protestaram contra as políticas ambientais e indigenistas do governo Michel Temer — Foto: Rainforest Foundation NorwayAmbientalistas noruegueses e representantes de povos indígenas brasileiros protestaram contra as políticas ambientais e indigenistas do governo Michel Temer — Foto: Rainforest Foundation Norway

Ambientalistas noruegueses e representantes de povos indígenas brasileiros protestaram contra as políticas ambientais e indigenistas do governo Michel Temer — Foto: Rainforest Foundation Norway

O puxão de orelha da Noruega em 2017 e o manifesto enviado à União Europeia reforçam a impressão de que o Velho Continente é o mais preocupado politicamente com a questão ambiental no mundo.

Na visão da pesquisadora Laura Kehoe, da Universidade de Oxford e uma das autoras do abaixo-assinado, a própria população europeia pressiona as autoridades a tomarem atitudes pelo meio ambiente.

“A vasta maioria dos europeus acredita que a União Europeia faz menos do que o suficiente para evitar as mudanças climáticas”, afirmou Kehoe ao G1.

A cientista acredita que as próximas eleições parlamentares europeias – marcadas para o fim de maio – podem refletir essa preocupação. “As pesquisas recentes mostram que os eleitores estão, sim, priorizando o combate às mudanças climáticas”, apontou Kehoe.

Em parte, a preocupação dos europeus se explica por recentes fenômenos atribuídos às mudanças climáticas. Ondas de calor se intensificaram desde o início do século.

Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa — Foto: Philippe Huguen/AFPMulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa — Foto: Philippe Huguen/AFP

Mulheres se refrescam com borrifador de água público em Lille, na França, durante onda de calor na Europa — Foto: Philippe Huguen/AFP

No ano passado, incêndios florestais em Portugal e temperaturas acima dos 40°C em outras partes do continente causaram mortes. Termômetros registraram, inclusive, mais de 30°C em áreas acima do Círculo Polar Ártico – ou seja, perto do Polo Norte.

O pesquisador Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda que há pressão estrangeira ao Brasil. “Consumidores têm buscado produtos mais sustentáveis e estão pressionando seus países a tomar medidas mais sustentáveis”, afirmou.

Entretanto, Rajão deu exemplo de quando nem sempre essa pressão internacional surte o efeito necessário.

“Europa só compra soja vinculada a desmatamento zero, e isso não impediu a produção de soja na Amazônia”, ponderou.

Como conciliar interesses?

 — Foto: Anderson Viegas/G1 MS — Foto: Anderson Viegas/G1 MS

— Foto: Anderson Viegas/G1 MS

Os pesquisadores ouvidos pelo G1 são unânimes: é preciso desfazer o antagonismo entre os interesses dos produtores rurais e dos ambientalistas.

“Existe uma ironia: o governo prejudica a própria agricultura quando não coloca em pauta a preservação do meio ambiente”, afirmou o cientista Tiago Reis.

“O brasileiro precisa entender que a comida depende da vegetação nativa, porque irriga as lavouras e oferece os polinizadores naturais. A China, por exemplo, desmatou tanto que não tem mais polinizadores naturais”, exemplificou o pesquisador.

“Em algumas plantações de maçã na China, produtores têm que pagar pessoas para polinizarem manualmente.”

Preservar a Amazônia ajuda o agricultor brasileiro porque a floresta leva grande quantidade de água para o resto do país. Nuvens carregadas de vapor de água pela evapotranspiração das árvores saem do norte do Brasil em direção ao sul levando chuva.

“Os padrões climáticos no Brasil dependem de um equilíbrio entre os diferentes biomas (Amazônia, Cerrado, Caatinga, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal), e o desmatamento pode perturbar esses padrões e causar eventos meteorológicos extremos no Brasil”, explicou a pesquisadora Solveig Aamodt, do Cicero.

Segundo estudos do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, uma árvore com copa de 10 metros de diâmetro pode bombear para a atmosfera mais de 300 litros de água em forma de vapor por dia – mais que o dobro da água usada diariamente por um brasileiro.

Fonte: G1

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Amsterdã proibirá veículos a gasolina e diesel a partir de 2030

Carros e motos movidos a gasolina e diesel serão proibidos em Amsterdã a partir de 2030, comunicou o conselho municipal da capital holandesa nesta quinta-feira (02/05). Segundo as autoridades locais, trata-se de um esforço para despoluir o ar da cidade.

“A poluição costuma ser um assassino silencioso e é um dos maiores riscos à saúde em Amsterdã”, disse a conselheira de trânsito da cidade, Sharon Dijksma.

Apesar do uso generalizado de bicicletas na Holanda, o nível de poluição do ar fica acima do nível permitido pelas normas europeias em muitas áreas do país, principalmente devido ao tráfego pesado em Amsterdã e na cidade portuária de Roterdã.

O Ministério da Saúde da Holanda alertou que os níveis atuais de dióxido de nitrogênio e de material particulado podem levar a doenças respiratórias e que a exposição crônica pode reduzir a expectativa de vida em mais de um ano.

O governo da cidade de Amsterdã comunicou que pretende substituir todos os motores a gasolina e diesel por alternativas livres de emissões, como carros elétricos e a hidrogênio, até o final da próxima década.

Carros elétricos estacionados ponto de recarga de bateria em Oslo — Foto: Terje Solsvik/ReutersCarros elétricos estacionados ponto de recarga de bateria em Oslo — Foto: Terje Solsvik/Reuters

Carros elétricos estacionados ponto de recarga de bateria em Oslo — Foto: Terje Solsvik/Reuters

A medida começará a se implementada em 2020, com o banimento de carros a diesel produzidos antes de 2005. A proibição será gradualmente expandida.

Subsídios e permissões de estacionamento

O governo local afirmou que pretende oferecer subsídios e permissões de estacionamento para estimular os cidadãos a trocarem seus carros por veículos mais limpos.

A associação da indústria automotiva holandesa criticou os planos e afirmou que pessoas pobres, “que não têm dinheiro para um carro elétrico”, serão excluídas da cidade.

Amsterdã segue uma tendência internacional. Madri já anunciou que vai restringir o acesso à cidade de veículos a diesel e gasolina fabricados antes de 2000. Roma pretende fechar o centro da cidade para veículos a diesel a partir de 2024.

Fonte: G1

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Homem cria ecobarreira caseira e retira 1 tonelada de lixo de rio

Ecobarreira já retirou garrafas, capacetes e até um fogão das águas do rio

Cansado de ver garrafas plásticas, latas e até sofás e fogões correndo pelas águas poluídas do rio que passa nos fundos de sua casa, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Diego Saldanha resolveu agir. Criou uma ecobarreira caseira para segurar o lixo flutuante e com isso já retirou mais de 1 tonelada de resíduos do rio, inclusive capacete e até um fogão.

Com muita criatividade, Diego criou a ecobarreira, um dique flutuante formado por galões plásticos de 20 litros unidos por uma rede que, esticado de uma a outra margem, funciona como uma barreira que retém o lixo que é arrastado pela correnteza.

A lista de objetos retidos pela ecobarreira não para de crescer: são sacolas plásticas, garrafas PET, embalagens plásticas de vários tipos de produtos, capacete, bonecas, bolas, sofá, cadeira infantil para automóveis, tubos de imagem de televisores antigos, fogão, aquecedor elétrico e até uma máquina de lavar.

Diego faz a limpeza do rio, duas vezes por dia, uma antes de ir para o seu trabalho, de vendedor de frutas nos semáforos da cidade, e outra já no final da tarde.

Ele conta que quando criança nadava no rio Atuba e foi percebendo gradativamente que o rio estava morrendo e, por isso, tomou essa iniciativa. Foi pensando em demonstrar aos seus filhos, que, ainda são crianças, a necessidade de preservar a natureza.

“O maior de todos os erros é não fazer nada por achar que se faz pouco. Faça tudo que puder, mesmo que te digam que você está enxugando gelo. Faça sua parte! ”, disse Diego Saldanha.

Hoje Diego dá aulas e faz palestras sobre meio ambiente, ensinando as crianças a fazer suas próprias ecobarreiras.

Mulher com bonecas
Imagem: Divulgação

E o que fazer com os objetos recolhidos? Da iniciativa da criação da ecobarreira, nasceram algumas iniciativas, como:

  • As garrafas de plástico reciclável são doadas para a campanha de coleta e venda de materiais recicláveis, da escola municipal na qual estudam os dois filhos de Diego. A venda das garrafas PET servem para a escola arrecadar alguns recursos;
  • As bonecas retiradas do lixo do rio Atuba são restauradas pela mãe de Diego, Marizete Saldanha, e, posteriormente, colocadas à venda, em seu brechó;
  • As várias bolas retiradas do rio Atuba foram doadas, aos garotos da vizinhança, onde Diego mora, fazendo a alegria da garotada;
  • E até um museu foi criado ao lado da ecobarreira para expor os objetos mais curiosos retirados.

Atitudes como esta, demonstram que é possível um cidadão comum, fazer mudanças palpáveis e eficazes para solucionar problemas que afetam o nosso meio ambiente. Elas motivam e dão esperanças de ter um futuro melhor.

Fonte: http://autossustentavel.com

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Índia já tem sua primeira cidade funcionando 100% com energia solar

O mundo está torcendo por algum tipo de solução que nos salve da situação ambiental que nós mesmos criamos a partir de poluição, contaminação e adulteração ao longo dos anos. Dito isso, embora ainda não tenhamos uma solução completa, uma cidade indiana começou a acertar seus passos em direção a um futuro sustentável.

Dando um passo gigantesco no setor de energia solar, Diu se tornou a primeira cidade da Índia a ter um excedente de energia renovável em apenas três anos. Pasme: agora Diu corre 100% em energia solar.

Neste período de mudança, a cidade fez um rápido progresso na geração deste tipo de energia. Limitado a uma área geográfica de apenas 42 quilômetros quadrados, Diu tornou-se o primeiro território da União, onde mais de 100% da necessidade de eletricidade está sendo atendida pela energia solar. Apesar da escassez de terra, usinas de energia solar foram instaladas em mais de 50 acres de terra.

O lugar gera um total de 13 megawatts de eletricidade a partir de instalações de geração de energia solar. Cerca de 3 MW são gerados por usinas solares de telhado e 10 MW por outras usinas.

Cidade agora tem 100% de sua energia vinda do sol

Cidade agora tem 100% de sua energia vinda do sol

O engenheiro executivo do departamento de eletricidade de Daman e Diu, Milind Ingle, disse ao site Times Of India que “a população de Diu é de apenas 56 mil pessoas. Para a água e a eletricidade, a cidade dependia apenas do governo de Gujarat”. Quando a empresa de energia local começou a gerar eletricidade a partir do sol, a perda elétrica da cidade reduziu-se significativamente.

Ingle disse ainda que o pico da demanda de eletricidade de Diu subiu para os 7MW e eles passaram a gerar cerca de 10,5MW de eletricidade a partir da energia solar diariamente, superando suas necessidades. A energia solar veio como um grande alívio para os moradores locais, já que suas contas mensais tiveram ainda uma redução de cerca de 12%.

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Conheça alguns produtos do cotidiano que ameaçam o meio ambiente

Itens básicos presentes à nossa vida parecem inofensivos e bons aliados ao nosso dia-a-dia, porém, para o meio ambiente, impactam de forma nada colaborativa.

Parte dos protetores solares que cuidam da pele contém substâncias altamente prejudiciais ao meio ambiente. A mais nociva é a oxibenzona, componente encontrado também em protetores labiais, hidratantes e máscaras para cílios.

Diversos estudos alertam para o fato de que o produto químico estaria causando grandes danos aos recifes de coral e ameaçando a sua existência. Diante das constatações, o Havaí decidiu banir o uso de protetor solar em seu território, como uma tentativa de barrar a situação.

Um dos efeitos do oxibenzona é o branqueamento dos corais, fazendo-os perder as variadas e encantadoras cores que enchem os olhos de que os vêem. A substância causa, ainda, danos ao DNA do coral bebê, fazendo com que ele se enclausure em seu próprio esqueleto, levando-o  à morte.

Produto essencial à pele, opte por filtros solares livre de oxibenzona, assim como PABA, retinil palmitato e parabeno.

Veja outros itens não tão amigáveis com o meio ambiente.

Abacate

A organização holandesa Water Footprint Network, cuja bandeira é a conscientização pelo uso mais eficiente da água, calculou que, para cultivar um único abacate, são necessários cerca de 272 litros de água. Segundo a instituição, os efeitos disso são devastadores para as regiões onde a fruta é cultivada.

Em 2011, uma investigação conduzida por autoridades de água no Chile encontrou, pelo menos, 65 plantações de abacate que desviavam ilegalmente rios e outras fontes de água para irrigação. Há quem atribua à esses agricultores uma forte seca que atingiu a área e forçou moradores a escolherem entre usar a água para beber ou tomar banho.

Abacaxi

O abacaxi é outra fruta que impacta o meio ambiente por ser cultivada a um ritmo que, em algumas partes do mundo, está afetando negativamente o planeta.

Na Costa Rica, por exemplo, que é um dos maiores produtores mundiais de abacaxis, milhares de hectares de florestas foram desmatados para o cultivo. Segundo a Federação de Conservação da Costa Rica, florestas inteiras desapareceram rapidamente, causando danos irreversíveis.

Os abacaxis são produzidos em grandes monoculturas — a produção intensiva de um único cultivo — e exigem uma grande quantidade de pesticidas, que também podem ser prejudiciais ao meio ambiente.

Produtos de higiene

No shampoo, batom, detergente para roupa, sabonete e pasta de dentes há a presença do óleo de palma, um dos óleos vegetais mais eficientes e versáteis, mas cujo uso generalizado levou a um desmatamento significativo.

Em um relatório de 2018, o grupo de conservação WWF alertou que a transformação de florestas tropicais e turfeiras em plantações de óleo de palma liberou “enormes quantidades de dióxido de carbono, contribuindo com as mudanças climáticas e destruindo o habitat de espécies como os orangotangos”.

O óleo de palma também está presente em produtos comestíveis, como chocolate, margarina, sorvete, pão e biscoitos.

Aromatizantes

Se no ambiente externo a poluição degrada o meio ambiente, em casa, produtos domésticos também têm efeitos negativos para a qualidade do ar.

Os aromatizantes, por exemplo, muitas vezes contêm uma substância química chamada limoneno, usada para dar um perfume cítrico ao ambiente, e também é usado em alimentos.

Um experimento realizado pela BBC identificou que quando o limoneno reage com o ozônio presente no ar, produz formaldeído — um dos produtos químicos de uso atual mais comuns e cercados de riscos. Segundo a Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a exposição a altas concentrações desse produto pode causar falta de ar, salivação excessiva, espasmos musculares, coma e eventualmente a morte.

Fonte: pensamentoverde.

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Austrália reduz em 80% o consumo de sacolas plásticas descartáveis em apenas três meses

As sacolas plásticas, apesar de parecerem inofensivas e serem adoradas pelos brasileiros já que é possível reaproveitá-las como lixo, é uma das principais vilãs quando o assunto é vida marinha. Baleias e tartarugas morrem aos montes por ingerir tanto plástico e boa parte deles são sacolinhas de supermercado.

Para cortar o mau pela raíz, vários países já tomaram medidas drásticas: o Quênia, por exemplo, decidiu punir fabricantes e usuários de sacolas plásticas. A Escócia já economiza 650 milhões de sacolas plásticas ao ano com legislação nova e Indonésia já aderiu às sacolas biodegradáveis e comestíveis.

Após três meses com dois dos três principais supermercados do país banir as sacolas plásticas de seus estabelecimentos, a Austrália conseguiu reduzir em 80% o uso de sacolas plásticas descartáveis – estima-se que aproximadamente 1.5 bilhão de sacolinhas foram poupadas com a ação.

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No começo os consumidores não gostaram de ter que comprar sacolas reutilizáveis por 0.15 centavos de dólares australianos – aproximadamente 0.40 centavos quando convertidos em reais. Alguns supermercados chegaram a voltar atrás na decisão, mas logo retomou a ação por pressão de ativistas a favor do meio ambiente.

Mas foi uma questão de tempo pois hoje os principais mercados do país já não distribuem sacolas descartáveis para realização de compras. Apenas um dos estados australianos ainda não baniram/taxaram as sacolinhas.

 

Fonte: thegreenestpost.com